Continuando com a nossa contemplação dirigimos o nosso olhar no braço direito da cruz (se olharmos de frente), encontramos o ícone do Bom Samaritano que abre espaço para nossa meditação.
O artista quer que aprofundemos e fixemos nosso olhar na cena de esse episodio que Jesus contou para explicar o amor ao próximo. Amar é uma coisa prática, não é apenas falar palavras bonitas. Alem disso Jesus nos diz que devemos amar a todos. Mas essa imagem tem uma particularidade e uma caraterística diferente que nos aproxima cada vez mais ao mistério de Jesus sacerdote servo.
Continuar descobrindo esse ícone cultiva nossa espiritualidade e nos deveria ajudar cada vez mais em nossa vida cotidiana.
Olhemos bem… O que há de particular nessa cena é que o ferido, maltratado, deixado meio morto na estrada pelos ladrões (cf. Lc 10, 29-37) é o próprio Jesus.
Por isso quem o ajuda não tem uma particularidade que nos permita identificá-lo, pode ser qualquer um de nós. Qualquer um dos seus discípulos que puseram em prática as palavras do mestre.
“Chegou perto, viu e sentiu compaixão”. É a dinâmica da misericórdia! Tudo começa com o “aproximar-se”. É impossível ser afetado pelo outro sem proximidade. Enquanto o sacerdote e o levita desviaram-se do homem caído no chão, o samaritano “achegou-se”. A proximidade física permitiu-o “vê-lo” de fato.
O “ver” vem depois de chegar junto ao ferido Jesus; aproximar-se é o primeiro passo; se alguém não se aproxima não pode ver, e a originalidade e qualidade desta visão é o despertador da própria consciência e é aquela que abre passo à ação solidária. Podemos conhecer muito, até todo o legal, mas optar pelo mandamento do amor é o desafio.
Jesus não vê a humanidade como nós. Ele não divide as pessoas entre as que merecem e as que não merecem ser amadas. Superar todas as barreiras que separam a nossa humanidade: as barreiras da religião, da oração, dos bons e maus. Aquilo que importa para ele é o amor comprometido com o necessitado, o amor que gera comunhão entre as pessoas. É nesse campo das relações pessoais que deve penetrar o amor de Deus.
Cada vez que ajudaram um dos mais pobres, necessitados, que sofrem neste mundo, o fizeram comigo (cf. Mt 25,31-40).
Quem tem Jesus como Mestre e Senhor é chamado a ser “misericordioso”. Em outras palavras, viver com os mesmos sentimentos de Cristo Senhor (cf. Fl 2,5).
Continuara…..