O FUNDADOR: Padre Ottorino Zanon

Ottorino Zanon nasceu em Anconetta, bairro da periferia de Vicenza (Itália) a 9 de agosto de 1915, e foi batizado no dia 15 do mesmo mês na Igreja de Santa Maria, em Araceli. Seus pais eram Clorinda Scortegagna e Giuseppe Zanon, foi o único sobrevivente de quatro filhos. Em sua infância morava junto a seus avós paternos. Seu pai era pedreiro e sua mãe ajudava no orçamento da família costurando colchas juntamente com os sogros e a cunhada. Com sete anos a família se mudou para Quinto Vicentino, um outro pequeno vilarejo de Vicenza, neste mesmo ano, em 23 de abril de 1922, realiza sua primeira Eucaristia na Igreja de São Jorge em Quinto Vicentino onde também recebeu a sagrada Crisma em 12 de fevereiro de 1923.

Com a mudança de casa, não faltaram as dificuldades, a começar pela escola que mais lhe parecia uma gaiola do que um lugar de ensinamento para a vida. Não se subtraiu a nenhuma dificuldade, ao contrário, considerava que “no caminho do Reino elas são como setas indicando o caminho certo, sem elas é fácil trilhar o caminho do egoísmo e da vaidade”. Se a escola era uma dificuldade, encontrou realização no trabalho manual e atividades técnicas, sempre valorizando a sabedoria popular. Carpintaria, marcenaria, mecânica, gráfica… de tudo ele gostava de saber e aprender.

No outono de 1927, com 12 anos de idade, entrou no seminário diocesano de Vicenza. Foi um período de fortes provações e confiança em Deus, com a mãe sempre doente, vez por outra auxiliava-a pois o pai trabalhava longe de casa. Mas, em agosto de 1928 aconteceu o milagre! A mãe dele, em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes recebe a cura de sua enfermidade. Ela lhe contou depois que “pediu a graça de sarar apenas para poder acompanhar o filho até ele se tornar padre”. Isto deu força a Ottorino, que assumiu com mais ardor sua vida no seminário. Assim, passaram os anos de formação, onde assumiu algumas tarefas como responsável pelos seminaristas que residiam na Catedral. Em 25 de março de 1939, recebe o subdiaconato. Em 29 de outubro, do mesmo ano, é ordenado Diácono no palácio episcopal de Vicenza. No ano seguinte, 1940, foi ordenado sacerdote em 26 de maio, durante a segunda guerra mundial. Começou o seu trabalho pastoral como vigário na paróquia de Araceli, periferia da cidade. E logo  ficou impressionado com a situação de dor e degradação que viviam as famílias daquele lugar.

Em 24 de maio de 1941, deu origem a uma nova Obra, o Instituto São Caetano, recolhendo e hospedando os meninos órfãos e abandonados, educando-os por meio do trabalho para que pudessem ser bons cidadãos e bons cristãos. Desde o início, padre Ottorino envolveu colaboradores na Obra, contando com a Providência para responder as inúmeras necessidades dos meninos. Nunca faltaram sinais concretos da presença de Deus, a quem a Obra pertence.

Em 1943, morre o bispo Rodolfi, que acompanhara todo o processo de início da Obra que padre Ottorino havia começado. O novo bispo, dom Carlos Zinato, após uma visita ao Instituto São Caetano, pede um regulamento para saber os objetivos claros da Obra.

Padre Ottorino apresenta as constituições. Assim, no dia 27 de janeiro de 1948, o bispo aprova, como experimento, um regulamento para a associação de sacerdotes e diáconos. Em 7 de outubro do mesmo ano, padre Ottorino, padre Aldo e um grupo de jovens, emitem diante do bispo a profissão religiosa.

Mas, padre Ottorino queria mais, uma associação não chegaria a realizar seu sonho missionário, ele desejava uma Congregação. Foi então que depois de muitas idas e vindas a Roma, com conversas e visitas, no dia 25 dezembro de 1961, nasce a “Pia Sociedade São Caetano”, congregação religiosa formada por padres e diáconos permanentes, dedicada ao cuidado pastoral das paróquias com população pobre e em diocese com escassez de clero.

Havia nele um espírito paternal, jovial e inovador na educação dos jovens, uma paixão incondicional por Jesus e um desejo transbordante de anunciar ao mundo a beleza de estar unidos a Ele e entre nós. Possuía uma espiritualidade profundíssima. Sempre se perguntava qual era a vontade de Deus e recorria à pergunta “Estou no meu lugar?”. Sempre se mostrou radical em sua doação, queria ser um “padre-padre”, ou seja, não se tornar um padre apenas, mas ‘ser padre’ numa maneira autentica, sem fazer do sacerdócio um status ou mordomia e sim um serviço pleno a Deus e aos irmãos.

Sua forte ideia era a unidade e a caridade dentro da Igreja. “Se um religioso fala mal de um outro religioso deve permanecer em silêncio por um mês”, dizia ele. Padre Ottorino se dedicou à formação dos jovens religiosos e animou a expansão missionária da Congregação. A partir de 1963 abriu missões no sul da Itália, na Guatemala, Brasil e Argentina. E em 1965, criou os amigos leigos da Congregação. Posteriormente nasceram as Irmãs na diaconia, leigas consagradas agregadas a Congregação.

Morreu em 14 de setembro de 1972, em Brescia, por causa de um acidente de carro. Suas últimas palavras foram: “Jesus, te amo”.

Em 5 de junho de 2015, o Papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas de padre Ottorino Zanon, que é, portanto, venerável.

Conhecer e amar a Jesus; fazê-lo conhecido e amado” são as palavras iluminadoras do venerável padre Ottorino Zanon, fundador da Pia Sociedade São Caetano, Congregação religiosa missionária formada de padres e diáconos permanentes.

Desde jovem, no seminário, Ottorino sente o desejo e a missão de conhecer e amar o Senhor Jesus e a urgência de fazê-lo conhecido e amado por todos os homens.

É a sua vida de dedicação em seus estudos, primeiro no seminário e, em seguida, na busca apaixonada da vontade de Deus que o abre à ação do Espírito Santo, que sempre o empurra a ir além dos limites conhecidos até então.

No seminário, enquanto está rezando, inspirado por uma pintura do Crucifixo atrás do qual, se vê o horizonte do mundo , ele sente claramente o chamado à vida missionária. E ele não está em paz até que tudo não serve à obra da evangelização. Ele confia tudo à Virgem Maria, a quem se entrega em um abandono confiante e criativo em sua intercessão e proteção.

Uma devoção filial a nossa Senhora, a Maria Imaculada, o acompanha constantemente; a confiança depositada nela é inabalável. Nem os momentos mais difíceis e sombrios abalam esta confiança. Isso, também, se torna uma linha clara de espiritualidade para os futuros religiosos da congregação, e mais tarde, para os membros da Família de Padre Ottorino. Ele costumava repetir [somos] “Barco no meio da tempestade: confia em Maria” certo da proteção da “querida Mãe do céu”.

Ao iniciar a obra de apostolado como jovem padre diocesano, dedica o melhor de si para abrir novas formas de serviço para restituir a dignidade a quantos vivem marginalizados e sozinhos; os jovens, naquele momento órfãos por causa da guerra, são a motivação e impulso para o início da Obra que, no entanto só deseja se receber sinais claros da vontade de Deus. Este estilo de deixar-se tocar pelas feridas da humanidade e apresentá-las ao Senhor é uma característica clara da sensibilidade de Padre Ottorino e uma linha de orientação para sua Obra. A partir dessa pobreza, ele se deixa levar e tenta, de todas as maneiras, dar uma resposta para aliviar aqueles, especialmente os jovens, que pagam as mais amargas consequências. Esse amor pelas multidões leva Padre Ottorino a escolher – para suas primeiras comunidades fora de Vicenza e para futuras missões – lugares e dioceses onde as necessidades são maiores; onde a falta de clero parece ser um apelo claro à presença desta nova congregação; onde a estrada, os bairros e os subúrbios se tornam lugares ideais para começar a descrever o estilo e o serviço daqueles que Padre Ottorino já sonhava: os diáconos permanentes na congregação. Sacerdotes e diáconos juntos no altar e na vida; no serviço e na comunidade, mostrando assim uma face da Igreja capaz de estar próxima dos necessitados e sempre fraterna na vida cotidiana.

A vontade de Deus: a ser comprida sempre, mesmo que custe, buscada e amada guia o espírito de doação de Padre Ottorino e ele descreve isso com uma cruz feita de mosaico  , onde cada um deve procurar e ocupar seu lugar para viver em harmonia com os homens e com o Senhor e encontrar o sentido da vida. “Estou no meu lugar?” é um imperativo urgente e sempre atual para pensar e agir na presença do Senhor com quem devemos cultivar uma íntima união no encontro diário, na celebração da Eucaristia, no anúncio de sua Palavra e na oração constante.

‘Estou no meu lugar?’ Torna-se um de seus slogans mais populares para espalhar o carisma do Espírito Santo, do qual ele se sente um instrumento.

Padre Ottorino deixa-se levar por uma obra por ele não querida e nunca procurada  ou busca, mas quando percebe que o Senhor deseja a sua disponibilidade, não hesita em pôr tudo nas mãos de Deus. Para iniciar seu trabalho, Padre Ottorino pede sinais de conversão; procura colaboradores como um traço da constante providência de Deus que nunca abandona aqueles que se confiam a ela; permanece fiel e obediente à Igreja, mesmo se suas intuições antecipam os tempos e já emanam o espírito e reverberam o eco do Concílio Vaticano II.

Numa profunda atitude de humildade, ele sonha com a profecia da restauração do diaconato permanente; sonho já compartilhado com alguns de seus primeiros companheiros desde os anos 40. Ele sabe esperar os tempos da Igreja e lança neles, com criatividade engenhosa, a semente do diaconato permanente.

Coração, família e trabalho são, para Padre Ottorino, os lugares da presença certa do Senhor, onde se pode viver o verdadeiro sacramento de sua proximidade: “Com Cristo no coração, na família, no trabalho” está escrito na entrada do Instituto São Caetano, para que centenas de jovens, colaboradores e famílias, possam se referir e entender como seja possível para todos viver na presença do Senhor.

O motor de sua intuição original é o dom da unidade. Unidade não abstrata e genérica, mas na caridade.

“Unidade na caridade” é o ideal de Padre Ottorino antes, e depois da Congregação religioso-missionária.

Ele percebe que o preço da ‘unidade na caridade’ é a cruz do Filho de Deus, onde encontra a razão de sua existência e encontra a fonte para se renovar mesmo quando as feridas da comunhão são mais dolorosas do que nunca. Ele diz ‘Ame a cruz’, apesar de essas palavras sempre magoarem quem pode também só pronunciá-las.

O Ideal em Padre Ottorino se torna cada vez mais música da alma, no entanto, ele próprio repete de sentir essa música dentro de si, mas de não conseguir executá-la sozinho. Tanta é a sua humildade antes do trabalho em andamento, e tanta a sua liberdade de compartilhar tudo com os outros, e fazer com que todos participem do que ele reconhece ser a presença de Jesus. Seu carisma é cada vez mais compartilhado, e cada vez mais aumentará a necessidade de anunciá-lo. Em breve Leigos e amigos participarão de seu Ideal.

A historia do desenvolvimento do Carisma leva a maturidade o fruto da “Familia de Padre Ottorino”: religiosos, irmãs na diaconia, leigose famílias, que na diversidade de vocações vivem e cultivam o carrisma de Padre Ottorino, monstrando ai onde são chamados a operar, o rosto diconal da igreja e de estilo pastoral nas paróquias.

 

Padre Ottorino recomenda sempre um contato íntimo com o Senhor:

‘Fale com Ele’, antes de fazer escolhas exigentes.  Contato e diálogo com Jesus a serem renovados todos os dias para também amar a cruz que sempre visita os amigos de Deus.

A confiança ilimitada na Providência torna Padre Ottorino homem credível aos olhos de todos, homem do futuro e de grandes projetos. Torna-o contagioso e muitos não conseguem resistir ao seu ímpeto ardente, que mostra um autêntico homem de Deus, um homem otimista, um homem inteiramente entregue ao Senhor e aos homens.

A Pia Sociedade São Caetano, Congregação religioso-missionária – e agora a Família de Padre Ottorino – está atualmente comprometida, com diferentes vocações, a viver a ‘unidade na caridade’ nas paróquias, a fazer conhecer  a vocação ao diaconato permanente, na certeza de que a resposta ao “Estou no meu lugar?” é a fonte da autêntica alegria da vida oferecida  no compromisso e doação a Deus e aos irmãos.

A espiritualidade e o carisma, sempre em movimento, identificam Jesus com as características do servo; mais de Jesus sacerdote servo. Este ícone torna-se a base do carisma religioso pastoral da Congregação. Torna-se inspirador para as escolhas das missões e para o trabalho pastoral da Família de Padre Ottorino. Assemelhar-se cada vez mais a Jesus, sacerdote servo, que oferece tudo ao Pai e que celebra sua missão entre os homens num estilo que o mostra diácono servo, para que ninguém o sinta longe, torna-se o caminho de verdadeira santidade dos seus membros e chamamento renovado cada dia.

Padre Ottorino, humilde discípulo de Jesus, membro obediente da Igreja, profeta sem gloria, é fonte de inspiração para aqueles que são sua família hoje no mundo e na Igreja. “Sacerdotes e diáconos” juntos em comunidade e na ação pastoral, “Irmãs na Diaconia”, mulheres consagradas e participantes do carisma e “Amigos” com suas famílias continuam a compor a música que Padre Ottorino ouvia dentro de si. Dedicar-se ao carisma para viver ‘Unidos na caridade’ é alegria interior e ímpeto criativo para construir pontes e ser pedrinhas disponíveis para ocupar aquele lugar no projeto que o Senhor desde sempre pensou para cada um e para a Igreja.