Eu sou a luz do Mundo

Chegamos ao fim da nossa reflexão, podendo partilhar sistematicamente este ícone feito em 2009 pelo Pe Jorge Darío da PSSC e dando-nos a oportunidade de contemplá-lo a partir desta imagem de Jesus Sacerdote Servo, com as suas características particulares que nunca deixaram de nos surpreender. Agora contemplemos os diferentes detalhes e significados. Segundo o texto da Carta aos Hebreus, mencionado na última reflexão, Jesus exerceu o seu sacerdócio oferecendo toda a sua vida, todo o seu ser para que a vontade de Deus se cumprisse. E nisso consiste a novidade do sacerdócio de Cristo.

Como os cristãos participam do sacerdócio de Cristo, poderíamos dizer de sua diaconia em virtude do batismo, somos todos chamados a participar do mesmo sacrifício: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, Santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito”(Rm 12,1-2).

Com Jesus, eles não oferecem mais animais para representar o sacrifício. Em vez dos animais, Jesus se oferece e assim supera a separação entre ofertante e ofrenda. Jesus supera também a separação entre o sacerdote e o povo, porque, como nos diz o Evangelho, sempre encontramos Jesus no meio do povo (Cons. 42), o encontramos solidário com os pobres. Ele não pertence a uma casta separada, mas vive misturado com o povo, e assim também essa separação é superada em Jesus.

Por fim, Jesus, oferecendo-se, pode apresentar-se a Deus – como diz a Carta aos Hebreus – «digno de fé e misericordioso e tem autoridade perante Deus porque é inocente e santo e cheio de misericórdia para com os homens» (Hb 7 , 26; 3, 1-2). Portanto, ele também supera aquela separação entre Deus e o homem, e cumprindo a vontade de Deus, para realizar o desígnio de amor de Deus, ele cumpre o desejo de seu Pai para a humanidade: “que todos os homens tenham vida plena” (Jn 10, 10).

Concluímos dizendo que todo o ícone, majestoso diante de nossos olhos, nos chamam ao silêncio. Um silêncio como um convite a olhar para o coração. Quanta necessidade de silêncio nós temos. Quantos ruídos nos invadem. Contemplando este ícone, podemos nos aproximar do Mistério de Deus como silêncio. Para isso, é necessário criá-lo, um silêncio pleno, no qual possamos nos refugiar para poder sentir a nós mesmos e a Deus no fundo do nosso ser. Quando este silêncio se torna realidade, podemos descer à plenitude do coração, então o silêncio se torna o Grande Silêncio, aquele que segundo Santo Inácio de Antioquia deu à luz Jesus Cristo. Com este silêncio nasce também em nós a oração de Jesus “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade do meu pecado!”

Na lembrança, todo o homem se torna um ouvinte. É o grande método pedagógico da Bíblia: “Shema Israel” (שְׁמַע יִשְׂרָאֵל), atitude que contém em si as três características do silêncio: fugir, ficar quieto, acalmar-se; em um progresso contínuo para um silêncio-virgindade e um silêncio-fecundidade. Só quando estivermos totalmente calados poderemos senti-lo: “Este é o meu Filho amado, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” (Lc 9,35). E ele descerá à morada mais profunda de nossos corações, como quando se encarnou na gruta de Belém.