“Eu sou a luz do mundo”
Queremos compartilhar um Ícone de um modo especial, para isso começaremos esta reflexão de um modo sistemático. Dividiremos para um melhor olhar, cinco momentos diferentes, assim poderemos contemplar toda a sua riqueza espiritual y artística que nos quer transmitir nosso querido pe Jorge Dario Cardozo da PSSC que elaborou esse ícone com suas mãos abençoadas. Mediantes as imagens que encontraremos no decorrer das reflexões nos ajudaram a encher nossa alma com toda a mística e peculiaridade de Jesus Sacerdote Servo.
Esse ícone se encontra na Capela da Casa de Formação Paolo Crivellaro, Brasil-Belford Roxo.
O pe Jorge Dario nos convida a iniciar o primeiro momento de reflexão. Citando a São João: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Jesus diz de si mesmo. Olhá-lo pregado na cruz pareceria uma afirmação paradoxal. No entanto, o olhar contemplativo sabe ver nas profundezas do mistério e é capaz de descobrir a força silenciosa do amor de Deus que se humilha e se abaixa compartilhando a condição humana, assumindo a forma de servo (cf. Fil 2, 6-8), manifestar-nos, como um relâmpago imensurável, o infinito amor do Pai por seus filhos.
Se soubermos olhar, a noite mais escura da vida pode ser iluminada por quem eles traspassaram (cf. Zac 12,10). Vamos agora olhar para este ícone que nos chama à reflexão. É um ícone que tem algumas características particulares, porque foi feito levando em consideração uma espiritualidade. A espiritualidade do sacerdote-servo de Jesus, que Deus inspirou no coração do padre Ottorino Zanon, fundador da Pia Sociedade Sãn Caetano. A particularidade desse ícone reside na composição geral da imagem, que deve ser lida na teologia do hino cristológico da carta aos Filipenses 2, 6-11.
A primeira imagem a contemplar esta no topo da cruz, aqui queria apresentar a imagem do “Santíssimo Salvador do Abençoado Silêncio”. É um ícone bastante peculiar que representa Cristo antes de sua encarnação.
No halo, no lugar da cruz, há uma estrela de oito pontas composta de dois quadrados, um representando a divindade e o outro a impenetrabilidade do divino. A figura é a de um anjo, que usa um vestido branco com mangas largas, as mãos em forma de cruz no peito e as asas baixas ou fechadas.
Esta imagem não pode ser contemplada sem repercutir em nossos corações e em nossa memória as palavras do prólogo do Evangelho segundo João: “No princípio, o Verbo existia e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Assim, essa Palavra criativa, “sendo de condição divina, não reteve ansiosamente ser igual a Deus. Antes, despojou-se, assumindo a condição de servo, fazendo-se como homem”(Fp 2,6-7).
Continuara…